agosto 2026

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No meu segundo ano em Educação Especial chegou à minha vida um menino de quatro anos.

Trazia consigo uma paralisia cerebral grave e um nível de incapacidade que, no papel, parecia esmagador.

Lembro-me da minha primeira reação.

Medo.

Medo de não saber.

Medo de não conseguir ajudar.

Medo de falhar.

Era inexperiente e senti-me pequena perante uma realidade para a qual ninguém nos prepara verdadeiramente.

Partilhei esses receios com outros profissionais e com a família. Não porque duvidasse dele, mas porque duvidava de mim.

Mas, ao mesmo tempo, havia algo mais forte.

Uma vontade enorme de me entregar.

De dar tudo o que tinha.

De aprender.

De procurar caminhos.

De acreditar que, mesmo quando não sabemos como, o amor encontra sempre uma forma de chegar ao outro.

Ele não falava.

Mas tinha um olhar que intimidava a minha alma.

Um olhar que parecia perguntar:

"E agora? O que vais fazer com tudo isto?"

E eu fui ficando.

Dia após dia.

Descobri que as maiores conquistas nem sempre cabem em relatórios.

Às vezes são quase invisíveis para quem vê de fora.

Como o dia em que virou a cabeça para me procurar.

Ou quando começou a seguir a minha voz.

Ou aquele sorriso que aparecia quando algo lhe dava prazer.

Ou as sucções de agrado que se tornaram uma forma de comunicação entre nós.

Descobrimos juntos que conseguia ver muito mais do que imaginávamos, desde que os objetos lhe fossem apresentados num determinado ângulo.

Descobrimos o seu amor pela música clássica, que tantas vezes o tranquilizou.

Descobrimos o prazer que sentia ao tocar as gotas da chuva no rosto.

E descobri que, quando se balançava no meu colo, estava a pedir-me uma dança.

Foram pequenos passos.

Mas de conquistas gigantes.

Foi ele que me ensinou que a educação não se mede apenas pelo que uma criança consegue fazer.

Mede-se também pela nossa capacidade de ver aquilo que os outros ainda não conseguiram descobrir.

Hoje continuo a encontrar muitas crianças extraordinárias.

Mas aquele meu pequeno menino ocupará sempre um lugar especial.

Porque foi ele que me ensinou que a inclusão não começa nos recursos.

Não começa nas estratégias.

Nem sequer começa na formação.

A inclusão começa quando alguém olha para uma criança e decide acreditar nas suas possibilidades antes de acreditar nas suas limitações.

Foi ele que me fez acreditar, de uma forma que nunca esquecerei, na força transformadora do amor.


Qual foi a criança que mudou a tua forma de olhar para a educação?

Eu lembro-me perfeitamente da minha. 💛

 


Trabalho diariamente com crianças, famílias e profissionais que procuram respostas.

A resposta certa.

A estratégia certa.

A atividade certa.

O recurso certo.

E compreendo essa procura.

Também eu já passei horas a pesquisar, a ler, a adaptar materiais e a tentar encontrar soluções para desafios que pareciam não ter fim.

Mas, ao longo dos anos, fui percebendo algo curioso.

Muitas vezes, o que mais ajuda não é fazer mais.

É parar.

Parar para observar uma criança sem pressa.

Parar para ouvir uma família sem julgamentos.

Parar para escutar um professor que se sente perdido.

Porque quando paramos, começamos a ver aquilo que a correria esconde.

Percebemos que aquela mãe não precisa de mais uma lista de recomendações.

Precisa de alguém que lhe diga que está a fazer o melhor que consegue.

Percebemos que aquele professor não precisa de mais uma formação.

Precisa de sentir que não está sozinho.

Percebemos que aquela criança não precisa de mais estímulos.

Precisa que alguém descubra a forma como ela comunica com o mundo.

E é nesse espaço de escuta que começam a surgir os verdadeiros caminhos.

Não caminhos perfeitos.

Não soluções mágicas.

Mas caminhos possíveis.


Nem sempre é preciso fazer mais.

Às vezes é preciso parar.

Parar para escutar professores que estão cansados.

Parar para ouvir pais que não sabem por onde começar.

E nesse espaço…

acontece algo simples, mas poderoso:

👉 percebemos que não estamos sozinhos.

E que, mesmo nos contextos mais desafiantes,

🌿 há sempre um caminho possível.

🌿 Porque há caminhos que só encontramos quando alguém os percorreu antes de nós.


 

O dia em que 9 crianças mudaram o meu guião

 


Era uma vez uma educadora que achava que sabia contar histórias, até ao dia em que a vida, há 3 anos atrás lhe deu o grupo mais desafiante da sua carreira.

Muitos viram números, relatórios e dificuldades. Eu vi 25 crianças, mas 9 delas traziam consigo universos tão específicos e necessidades tão profundas que o meu 'Era uma vez' tradicional deixou de servir. Foi um ano de perguntas sem resposta, de noites a estudar e de um cansaço que só quem está no chão da escola conhece.

Mas foi precisamente nesse desafio, no meio de 9 crianças desafiantes e dezenas de barreiras, que eu fiz uma escolha: não me foquei no problema, foquei-me na solução.

Decidi que não queria apenas 'incluir' no papel; queria capacitar-me para garantir que cada uma daquelas crianças fosse a verdadeira protagonista da sua história de vida. Fui procurar as ferramentas, tirei a especialização em Educação Especial e descobri que, afinal, este era o meu caminho.

O blog 'Histórias com Amor' esteve em silêncio, mas eu não. Estive a aprender a ler as entrelinhas, a adaptar recursos e a entender que a magia acontece quando ajustamos o guião ao potencial de cada um.

 

O que podem esperar daqui para a frente?
Este espaço renasce hoje como um porto de abrigo para educadores, professores e famílias. Vou partilhar convosco:

  • 📖 Histórias Adaptadas: Como transformar um livro comum numa experiência acessível (multissensorial, pictogramas, CAA).
  • 📝 O Lado Prático: Exemplos de relatórios, estratégias para o DL 54/2018 e dicas para pais e profissionais.
  • 💡 Caminhos de Formação: Onde beber informação de qualidade.

Acredito que cada criança tem uma história única para contar. Eu estou aqui para vos ajudar a escrever o guião, garantindo que ninguém fica de fora do palco.

"Foram estas crianças que me ensinaram que a inclusão não é uma medida, uma legislação ou um relatório. A inclusão acontece quando olhamos para cada criança e decidimos descobrir o caminho que a ajuda a aprender, participar e crescer. É por isso que o Histórias com Amor regressa diferente. Porque hoje as histórias que mais me inspiram são as histórias reais."

Mensagem: a inclusão começa quando cada criança encontra a sua forma de entrar na história.


 

 

 

 

Um Novo Começo: Histórias com Amor... Especial 🌈


Depois de algum tempo em silêncio, o "Histórias com Amor" regressa — mas com um novo olhar, mais profundo, mais verdadeiro, mais humano.

Este espaço nasceu do meu amor pelas histórias infantis, pelo encantamento das palavras e pela criatividade das crianças. Mas o tempo passou, eu cresci, aprendi e transformei-me — como tantas famílias, como tantas crianças que enfrentam desafios diariamente com coragem e amor.

💛 Hoje, "Histórias com Amor" ganha um novo propósito.

Agora, aqui vais encontrar:

  • Histórias reais de crianças especiais, com talentos únicos e caminhos próprios;
  • Relatos inspiradores de famílias lutadoras, que todos os dias constroem pontes onde o mundo vê obstáculos;
  • Partilhas de profissionais que trabalham com alma, com empatia e dedicação;
  • E claro, atividades educativas adaptadas, pensadas para incluir, para respeitar, para acolher.

Porque educar é amar, e amar é aceitar, compreender e caminhar lado a lado.

Este blog será um espaço de partilha e de empatia, onde cada história conta, cada pequena conquista importa, e cada passo é celebrado.

🌱 Se acreditas numa educação com alma, numa infância plena para todos, então este espaço é também teu.

Segue, partilha e vem fazer parte desta nova etapa. Vamos juntos dar voz ao que importa.

Com carinho,
 Minda

 quero ver



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